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Expectativas em relação à China

 

 

“Embora ainda seja prematuro especular sobre os delineamentos básicos de uma nova e inevitável ordem internacional, a evolução dos acontecimentos parece apontar para algum tipo de entendimento entre Estados Unidos e China como ingrediente fundamental dessa nova ordem.”

 

 

Embaixador Luiz Augusto de Castro Neves 

 

No noticiário e nos programas típicos da passagem de um ano para outro com foco nas perspectivas para o ano seguinte, a China teve papel preponderante, sendo objeto de análise tanto isoladamente, como na disputa com os Estados Unidos pela liderança da economia mundial. 

 

Impressionado com o que vi quando lá estive em 2009 coordenando um grupo de estudantes da FAAP, tenho acompanhado com vivo interesse o que se passa com a China, quer sob a ótica econômica, quer sob a política. 

 

Se, no que se refere à política, não há razão para se esperar qualquer alteração no cenário, dado o inconteste domínio do Partido Comunista Chinês, no que se refere à economia são esperadas algumas novidades em relação ao que se vinha observando no passado, pelo menos até o começo da pandemia do coronavírus no início de 2020. 

 

Vou privilegiar apenas três aspectos, em vista do amplo espectro a ser examinado e do espaço reduzido de um artigo desta natureza. 

 

O primeiro diz respeito às relações com os Estados Unidos e a uma eventual disputa pela hegemonia mundial. Nesse aspecto, alinho-me à visão de brasileiros que passaram alguns anos trabalhando na China como Roberto Dumas Dantas (que atuou em Xangai como economista do BBA-Itaú e acaba de lançar pela Saint Paul Editora o livro China X Estados Unidos: Como a economia global e a geopolítica se comportarão no pós-pandemia) e Larissa Wachholz (que atuou como assessora especial da ministra Teresa Cristina em Pequim). Ambos acreditam que mais do que dominar o mundo, nos moldes do que pretendeu a União Soviética depois da 2ª Grande Guerra, o que a China pretende é consolidar sua posição de uma das grandes potências mundiais, contribuindo, para tanto, com a criação de novos organismos financeiros nos quais seu protagonismo é muito maior do que nas instituições criadas em meados do século passado sob forte influência norte-americana, notadamente na Conferência de Bretton Woods. 

 

O segundo refere-se ao desempenho da economia chinesa e à expectativa do crescimento do PIB. Nesse aspecto, alinho-me à visão da economista Fabiana D’Atri, coordenadora do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco e diretora de Economia do Conselho Empresarial Brasil-China, que espera para 2022 um crescimento inferior a 5%. Esse desempenho, bem inferior ao que o mundo acostumou-se a ver depois de 1978, quando se iniciaram as reformas implementadas por Deng Xiaoping, está sendo induzido em grande parte pelo próprio governo chinês que, além de prometer não criar estímulos artificiais aos investimentos, impôs restrições de ordem ambiental. Na avaliação de Fabiana, o novo modelo chinês colocará menos ênfase no aumento do PIB e mais na qualidade e sustentabilidade do processo de desenvolvimento. Dumas, por sua vez, acredita que o crescimento médio anual daqui para frente (e não só em 2022) será da ordem de 4,5%. 

 

O terceiro e último aspecto é que segue em curso na China uma mudança no modelo de crescimento que vem sendo buscado já há mais de uma década, mas que não é fácil de atingir num país tão grande e complexo e no qual a população tem hábitos fortemente arraigados. Trata-se de abandonar o binômio investimento e exportações, que por muito tempo foi o carro-chefe do crescimento, abrindo mais espaço para o consumo das famílias. 

 

Tanto para a China como para o Brasil ou para qualquer outro país, previsões não passam de... previsões, estando, portanto, sujeitas a margens maiores ou menores de erro. Aguardemos para ver! 

 

Referências 

 

D’ATRI, Fabiana. Desaceleração da economia chinesa: desta vez é diferente. Conselho Empresarial Brasil China – CEBC. Carta Brasil-China. Edição 30. Dezembro de 2021, pp. 4-9. 

 

PROGRAMA WW. Qual o tamanho do poder da China no mercado mundial? CNN, 26.12.2021. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=3TpSsGCS9vc

 

 



Luiz Alberto Machado Economista, graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Mackenzie, mestre em Criatividade e Inovação pela Universidade Fernando Pessoa (Portugal), é sócio-diretor da empresa SAM - Souza Aranha Machado Consultoria e Produções Artísticas. Foi presidente do Corecon-SP e do Cofecon.

 

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